Poesia – Série Ela – 17

Todo homem gosta de mulheres decididas.

Ela

Acordou disposta

A mudar o mundo

Levantou a bandeira da justiça

Lutando contra tipo de discriminação

E o abuso de poder

Escreveu um belo discurso

Emocionado e inspirador

Criou faixas e cartazes

Gravou vídeos convocando

A população para ir às ruas

Me deixou em casa

Cuidando das crianças

Com instruções bem claras

Para eu arrumar a cozinha

E deixar a janta pronta

Alecio Neto

Um ano de Coloque Poesia

O primeiro ano a gente nunca esquece.

Olá!

Hoje faz um ano que decidi criar um blog para expor meus poemas, meus textos, minhas frases e meus pontos de vista.

Foi um ano de muitas expectativas, de trabalho, de contato com muitas pessoas, de muitos comentários, muitas curtidas e muitas alegrias.

Claro que não posso deixar de agradecer quem me segue, quem me acompanha, quem me incentiva a continuar escrevendo e postando.

É uma experiência muito boa ter um blog. Não sei se é uma página ou um espaço para expressar meus sentimentos, minhas opiniões, meus bons ou maus momentos.

Eu sinto que tenho liberdade de fazer o que quiser. Só que ao mesmo tempo, eu me cobro para não ofender ninguém.

Desde o começo, o meu objetivo foi fazer a diferença de alguma forma por meio da poesia. Eu precisava encontrar um meio de mudar minha forma de pensar, de me comportar.

Ainda tenho um longo caminho pela frente. Uma batalha dura contra eu mesmo. Lutar contra meus maiores medos e receios.

Escrever me ajuda a mudar essa rotina a cada dia. Colocar no papel o que desejo, o que sonho com ou sem poesia. O que importa é que é colocado de coração.

Pensado com o propósito de agradar você que lê. De despertar uma emoção positiva, uma reflexão, uma atitude.

Com isto, eu estou aprendendo a cada dia e vendo o que preciso fazer para continuar fazendo o que gosto.

Neste ano, eu tenho muito que comemorar e agradecer todos os comentários recebidos. Sem contar as indicações do meu blog, atraindo mais seguidores.

Quando voltei a escrever poemas, eu achava que o Brasil estava culturalmente pobre e que precisava fazer alguma coisa para mudar isto. Eu estava enganado porque você já estava fazendo com o seu blog.

Quantos poetas, escritores e pessoas que têm muito a compartilhar eu passei a seguir neste ano. Passei a me inspirar mais, a escrever mais. O seu blog faz a diferença com suas ideias, aspirações, pontos de vista.

Poetas somos todos nós. Amando o que faz. Sofrendo por não saber a reação de quem está lendo ou vendo. Imaginando o mundo dos sonhos. E, principalmente, vivendo cada dia para ter o que contar ao mundo o que sente.

Dou meus parabéns a você que doa seu tempo para que eu possa aprender um pouco mais.

Obrigado mais uma vez por visitar sempre que pode o meu blog!

Um grande abraço,

Alecio Neto

Poesia – Fim

Um belo fim é composto de muitos começos e meios.

Antes de apagar a luz

Eu queria ver de novo

O vai e vem do mar

Espuma branca na areia

O seu sorriso tímido

Meu poema preferido

O céu azul infinito

As crianças rindo

Meus queridos amigos

Meus textos esquecidos

Meus sentimentos

Meus feitos

Agradecer por tudo

Pedir desculpas a todos

Por ter que sair mais cedo

Com o peito apertado

Toda despedida é assim

Abraços, choros e beijos

Pedidos para ficar mais um pouco

Meu voo tem hora marcada

Antes de embarcar

Falta a coragem

De olhar para trás

Ver tudo que ficou

 

Alecio Neto

Frase – Há tanto para dizer

Bom dia com poesia! Não perca uma oportunidade quando o que tem a dizer vem do coração.

Verso Há tanto para dizer

Poesia – Guerreiros

A cada dia enfrentamos uma luta diária.

Que batalham contra

O sono no ponto de ônibus

Em busca de uma vida melhor

Para si e para quem

Tem que sustentar

Escondem seus medos

Fogem dos receios

Enfrentam a rotina

Como todo santo

Que a cada dia do ano

Renova seu voto

De sacrifício sem esperar

Pela recompensa em outra vida

Dedica a sua vida a cuidar de quem

Não consegue ainda caminhar

Com as próprias pernas

Mas no silêncio da noite

Ou no olhar de alegria

 Agradece aos anjos

Por ter um herói

Conhecido amparando

Que não se abate com nada

E com um sorriso no rosto

Encoraja até os mais fracos

A continuar lutando sempre

Pelo bem de quem se ama

Alecio Neto

Frase – Rotina é algo engraçado

Bom dia com poesia! Rotina é bom, desde que ela seja saudável para o corpo, mente e, principalmente, coração.

Rotina é algo engraçado

Frase – Não sei o que anda

Bom dia com poesia! Ser otimista é enxergar novas cores no clima cinza.

Verso Não sei o que anda

Crônicas – Livro Mea Culpa – Capítulo III

As contradições de um ninguém. Por Alecio Neto.

“Quem se preserva demais perde oportunidades na vida.”

Depois de quatro anos, meu pai decidiu desfazer a sociedade informal que tinha com o seu sócio e abrir sua empresa. Na época ele colocou meu nome e o do meu irmão caçula no contrato.

Eu tinha cinquenta por cento de participação no negócio e era apenas um sócio no papel. Mais do que isso, eu fui um sócio investidor. Todas as minhas economias foram usadas na nova empresa. Fiz isso por ingenuidade, comodismo e por não saber dizer não.

Depois de alguns meses, eu estava me sentindo frustrado. Eu não gostava do meu trabalho e achava que a minha carreira iria estagnar ali. A agência também não vivia seus melhores momentos.

Havia uma briga entre o dono e os diretores da agência. Eu procurei não me envolver nas brigas. Os principais funcionários estavam fazendo um verdadeiro motim. Eles queriam assumir a administração do negócio, mantendo o dono apenas como sócio investidor.

O clima era péssimo e eu vivia nervoso. Ao mesmo tempo, eu queria voltar a trabalhar em uma agência grande e sabia que com os trabalhos que havia realizado não teria chances.

Eu sempre mantinha o contato com o meu amigo redator que ainda trabalhava na agência multinacional que eu estagiei.

Um dia ele me ligou e disse que tinha me indicado para uma vaga numa agência de marketing direto. Eu fui para a entrevista e vi que se tratava de uma agência multinacional. Era o lugar perfeito para um novo recomeço. Infelizmente, eles não me contrataram.

Na maior parte das vezes que eu ia almoçar com esse meu amigo, colegas da antiga agência que ele trabalhou iam junto. Eu fiz amizade com todos eles.

Um deles me chamou para fazer alguns trabalhos como redator freelancer. Isso me deixou mais motivado com o dinheiro extra.

Mesmo assim, eu continuava carregando os mesmos problemas emocionais de sempre: depressão e baixa autoestima.

O clima na agência estava ficando cada vez pior. O dono se afastou e montou duas empresas fora do mercado de comunicação. O faturamento da agência caiu drasticamente.

O diretor de atendimento que queria que o dono saísse do negócio foi obrigado a voltar atrás. Para não ser mandado embora, ele brigou com o diretor de criação obrigando-o a demiti-lo. Logo em seguida foi demitido o redator sênior.

Os dois me chamaram para conversar e queriam montar uma agência. Eles não sabiam dos meus trabalhos como freelancer, que mantinha em segredo. Eu não recusei a proposta e me dividia entre o meu emprego, os trabalhos como freelancer e essa nova empreitada da agência.

Já sabia que era uma questão de tempo para eu também ser mandado embora. Eu fui obrigado a tirar férias na agência. Antes mesmo das minhas férias terminar, eu fui chamado para uma conversa com o dono da agência. Ele me explicou a situação financeira da empresa e me demitiu.

Foram três anos trabalhando ali na expectativa por uma oportunidade melhor aparecer. Eu ainda não tinha aprendido que as boas oportunidades não aparecem como um passe de mágica.

Com vinte e oito anos, eu me considerava velho demais para voltar a brigar por um estágio em uma grande agência novamente e tentar conquistar meu lugar entre os grandes nomes do mercado.

Eu já tinha experiência e podia ter minha própria agência. Há um ano, eu e meu amigo diretor de arte fazíamos trabalhos de freelancer. Nós dividíamos as despesas e começamos a fazer um pequeno caixa para montar uma agência de publicidade.

Nós usávamos as instalações de um fotógrafo, que era conhecido do meu amigo diretor de arte.

O fotógrafo, que já tinha passado dos cinquenta anos, estava sempre em dificuldades financeiras. Ele viu que o nosso trabalho estava dando resultado, conversou com um amigo consultor e explicou o que estávamos fazendo.

Esse consultor tinha alguns contatos e fechamos um acordo de sociedade informal. Eu e meu amigo éramos os responsáveis pela criação das peças, enquanto os outros dois cuidavam do atendimento e prospecção de clientes.

Com a minha demissão, eu passei a me dedicar na nossa agência de comunicação informal. Eu levei a sério o negócio e comecei a fazer contato com empresas para apresentar o nosso trabalho.

Com os outros dois colegas que trabalharam comigo no meu último emprego, eu achei que tudo ainda estava muito no começo e desisti de ficar com eles.

Como ainda não era uma empresa propriamente dita, cada sócio cuidava primeiro de seus negócios e empregos. Eu passava o dia inteiro entre contatos por telefone e visitas aos possíveis clientes.

Não me dei conta de como aquela experiência foi importante. Eu tomei uma atitude de bater de porta em porta apresentando a nossa agência. Eu falava com propriedade e tinha confiança no que estava dizendo.

O problema foi a minha imaturidade em não saber lidar com os meus sócios. Um brigava com o outro por bobagens e o terceiro sócio tirou proveito para que nós pagássemos parte do aluguel do seu escritório.

Para piorar a situação, eu é que pagava a maior parte das despesas. Não demorou muito para eu explodir com tudo aquilo e meu pai teve que intervir para negociar o que era me devido.

Antes de me considerar desempregado novamente, eu recebi uma ligação da agência de marketing direto que havia feito entrevista há dois anos.

Eles precisavam de um freelancer para cobrir as férias de uma redatora. Aceitei a vaga na hora sem saber o que seria de mim um mês depois.

Eu me empenhava ao máximo para mostrar serviço. Depois que passou o meu período, eles pediram para eu ficar mais um mês. Todos elogiavam o meu trabalho, principalmente a diretora de criação que havia me contratado.

Um dia já havia acabado o horário de trabalho e ficaram poucos profissionais. Só eu estava na minha mesa trabalhando.

Nessa hora chegou à vice-presidente financeira da agência, que também era uma das sócias. Ela foi para a sala da minha diretora de criação. Logo o vice-presidente de criação entrou e participou da conversa.

Eles olhavam na minha direção. Ao ver aquilo pensei na hora que o problema era comigo. Terminei meu trabalho e fui embora preocupado com o que eles estavam conversando.

No dia seguinte, alguns profissionais da criação foram chamados na sala do vice-presidente de criação. A conversa durou alguns minutos e pelo tamanho da revolta de cada um já dava para saber que era grave.

Todos levaram uma bronca por saírem mais cedo no dia anterior em que só eu fiquei trabalhando. A partir daquele dia, esses profissionais não podiam chegar mais atrasados.

Um diretor de arte e uma redatora resolveram pedir demissão por achar o cúmulo o que estava acontecendo. No caso do diretor de arte era mesmo. Ele sempre saía mais tarde do trabalho quase todos os dias.

No fim do dia, a redatora e o diretor de arte entregaram suas cartas de demissão. No dia seguinte, eu e uma diretora de arte que também era freelancer fomos contratados. O salário proposto foi baixo e acabei aceitando com a promessa de um reajuste que nunca veio.

No meu primeiro ano, eu era considerado um dos redatores mais eficientes. Eu fazia todos os trabalhos que me pediam e estava sempre à disposição. Recebia elogios quase que todos os dias. Eu me sentia reconhecido, mas queria ganhar mais pelo que estava fazendo.

A carga de trabalho era muito grande. Eu fazia o máximo que podia, mas isso começou a me prejudicar. Por mais que já tivesse batido cabeça na vida, eu não sabia lidar com a pressão.

Para aliviar um pouco a tensão, eu ia almoçar com o meu amigo que ainda trabalhava na agência que fui despedido.

Em um desses almoços, ele me contou que tinha ido, em sua cidade natal, em um “benzedor”. Eu já estava acostumado com isso porque minha mãe sempre nos levou, desde pequenos, em benzedeiras. Além de diversos centros espíritas.

Por ser de família católica, meu amigo contou espantado o que ouviu do tal homem e que faziam todo sentido para ele.

Na mesma noite desse almoço, eu tive um sonho onde estava em uma casa com um salão cheio de bancos de madeira. Eu vi em detalhes o lugar.

Na semana seguinte, eu fui almoçar com meu amigo e perguntei como era o lugar onde o “benzedor” atendia. Para a minha surpresa, a descrição do lugar era idêntica a do meu sonho. Como eu sempre queria saber sobre o meu futuro, eu pedi ao meu amigo que me levasse lá quando tivesse uma oportunidade.

Em um feriado, eu fui com meu amigo para a sua cidade. Eu não via a hora de conhecer o tal vidente. Queria saber se ele tinha respostas para os problemas da minha vida e o que eu deveria fazer.

Quando eu parei o carro na porta tive a clara sensação de conhecer aquele lugar. Eu me senti estranho, como se estivesse energizado e com o corpo meio dormente.

Tocamos a campainha e ninguém respondeu. Estávamos quase indo embora quando ouvimos o portão se abrir. Um homem, que aparentava ter uns quarenta anos, reconheceu a mãe do meu amigo.

Ele não queria atender porque alegou que era um feriado santo. A mãe do meu amigo insistiu, dizendo que eu tinha vindo de muito longe e que precisava conversar.

O “benzedor” olhou desconfiado para mim e decidiu nos atender. Ao entrar na casa eu me deparei com o mesmo lugar do meu sonho.

O vidente sentou em um dos bancos do salão. A mãe e o meu amigo sentaram no banco atrás do tal homem. Eu fiquei de pé encostado na parede de frente para o vidente.

Ele ficou olhando para mim por um tempo e depois começou a falar que eu não era daquele lugar. Pelas suas palavras, eu vinha de um lugar distante e que era uma pessoa muito triste.

Aquelas palavras enigmáticas foram me deixando mais curioso. Eu tentei argumentar que não era uma pessoa triste, mas achava que puxava os sentimentos das pessoas.

Ele concordou comigo. Aquela conversa aumentou ainda mais a sensação de dormência no corpo. A impressão que eu tinha é que estava em dois lugares ao mesmo tempo. Eu tinha a sensação de ver várias pessoas naquele lugar, andando de um lado para outro.

Eu não me sentia mal com toda aquela experiência e comecei a descrever para eles o que estava acontecendo comigo. O que me deixou impressionado foi que ele me disse que muitos não queriam que eu viesse para este mundo.

Não sabia explicar, mas aquilo fazia sentido para mim. O vidente continuou dizendo que eu era médium e que deveria procurar um centro espírita para fazer um curso. Antes disso, eu deveria fazer algumas coisas para limpar meu espírito, como banhos, velas e orações.

Ao voltar para casa, eu comprei o que o vidente recomendou na esperança que os meus caminhos se abrissem.

Eu estava tão ansioso para que tudo começasse a fazer efeito. Logo na segunda-feira, eu fui até um centro espírita que ficava próximo da agência que eu trabalhava.

Uma voluntária da casa explicou que o calendário do curso funcionava de acordo com o ano escolar. Eu só poderia me matricular no ano seguinte. Fiquei decepcionado com aquela informação, eu tinha pressa de tirar toda “zica” de cima de mim.

Como o centro espírita era perto do meu trabalho, eu resolvi começar frequentar as reuniões as quartas-feiras. Eu me sentia bem ao tomar o passe e assistir a reunião.

Em uma dessas reuniões, eu sentei próximo ao palco onde ficava a mesa dos médiuns. Nas laterais ficava uma série de cadeiras onde outros médiuns ficavam sentados para dar “sustentação” aos trabalhos.

Atrás da mesa onde ficava o dirigente da reunião e os outros médiuns havia bancos de couro com três lugares cada para acomodar palestrantes e outras pessoas que participavam da reunião.

Depois que o dirigente responsável convocou os médiuns para à mesa, as luzes do salão foram apagadas ficando apenas algumas luzes coloridas verde e azul em cima da mesa.

Fechei meus olhos e fiz os exercícios de meditação. Ao abrir os olhos eu vi um casal de idosos com roupas no estilo inglês que para mim eram do século XVIII. Eles estavam sentados no lugar reservado aos dirigentes.

Eu pisquei os olhos algumas vezes e não sabia se estava tendo algum tipo de alucinação.

Durante toda a reunião, esse casal ficou ali sentado. Quando eu fechava meus olhos conseguia ver em detalhes os dois em cores, como se fosse de carne e osso. O homem tinha um grande bigode preto e usava chapéu e terno ocre.

A mulher tinha cabelos grisalhos e usava um coque, além de um vestido preto da época. Por incrível que pareça, eu não fiquei assustado com aquilo.

Quase no fim da reunião, o microfone foi passado para os médiuns da mesa. Alguns estavam “incorporados” e diziam com voz alterada recados dos espíritos aos presentes.

O que me chamou a atenção foi quando o microfone chegou ao dirigente da mesa. Ele disse que naquela reunião teve a presença de um casal inglês do século XVIII. Aquilo me deixou impressionado com a descrição do que tinha visto.

A partir desse dia a minha curiosidade foi aumentando cada vez mais. Eu não via a hora de fazer o tal curso. A minha esperança era que com isso eu conseguiria colocar a minha vida no rumo que desejava.

Mais um ano se foi e logo eu pude começar a fazer o curso de educação mediúnica. Na primeira aula, o instrutor explicou uma série de regras de comportamento. Eles não toleravam atrasos e havia um limite máximo de faltas no ano.

Quando comecei a fazer esse curso, eu tinha acabado de completar um ano na agência de marketing direto. Se no primeiro ano eu só recebia elogios, no segundo foi totalmente o oposto.

Minha diretora de criação passou a criticar todos os trabalhos que eu fazia. Nada estava à altura do que ela queria. Minhas ideias, conceitos e textos não eram aprovados. Mesmo com tantos trabalhos, eu era obrigado a refazer quase todos.

Ela dizia que não sabia o que estava acontecendo comigo. O meu trabalho havia caído de rendimento e que eu precisava me esforçar mais.

Eu era o redator com o maior volume de trabalho na agência. Passei a chegar antes das seis da manhã para dar conta dos trabalhos.

A situação foi ficando cada vez pior. A minha prioridade não era manter meu emprego, mas terminar o curso mediúnico de qualquer jeito.

Ao voltar das férias coletivas, a agência resolver fazer algumas mudanças na criação. Entre as mudanças, eu ficaria responsável por fazer campanhas de comunicação interna e de incentivo para os clientes da agência. Eu aceitei com relutância e sabia que aquilo era uma forma de me rebaixarem.

No primeiro trabalho para um cliente novo, eu fui designado para trabalhar com um diretor de arte recém-chegado na agência.

Nós ficamos bem no meio de uma disputa de egos entre a minha diretora de criação e o vice-presidente de criação. O conceito e as recomendações de criação que um pedia o outro mandava desfazer.

No dia seguinte era o prazo final para apresentar ao cliente. Minha diretora de criação viu o trabalho e me chamou em sua sala. Não houve conversa, apenas um bate-boca e eu saí da sala pedindo a minha demissão.

Eu me arrependi amargamente de ter feito aquilo. Quando me dei por mim, eu estava sem emprego de novo e sem saber o que fazer.

Passei alguns dias ligando para amigos, retomando velhos contatos e percebi que já não tinha o mesmo networking de antes. Eu comecei a ficar preocupado e a única coisa que me deixava um pouco mais tranquilo era frequentar o centro espírita.

Depois de quinze dias de férias forçadas, eu recebi uma ligação de um colega da agência de marketing direto que pedi demissão. Ele me passou o contato de uma agência recém-inaugurada de um amigo dele. Eu fui contratado e passei a trabalhar no outro dia.

Além de estar empregado novamente, eu podia fazer o meu curso no centro espírita tranquilamente. Fiquei tão obstinado e fanático pela doutrina, que estava disposto a fazer qualquer sacrifício para terminar o curso.

Eu passei a ler todos os livros que me indicavam e comecei a trabalhar como voluntário na casa. Cada vez mais, eu sentia que a minha mediunidade estava aflorando.

Eu não percebia como isso estava me prejudicando. Nada mais me importava. Tudo o que ouvia nas palestras, eu levava literalmente ao pé da letra. Meu trabalho e minha vida pessoal não importavam mais naquele momento.

Tudo o que ouvia era que vivíamos num mundo de provas e expiações e que deveria aceitar algumas coisas, me conformar com algumas situações. Por não ter discernimento, eu fui me anulando cada vez mais.

O meu trabalho na agência começou a ter problemas. O principal cliente passou a reclamar sobre a qualidade dos meus textos. Os responsáveis pelo atendimento do cliente não conseguiam explicar o que o cliente queria.

A frustração e todos os comportamentos negativos bateram na minha porta novamente. Eu me tornei apático em todas as situações. O que me mantinha naquele lugar era que eu podia continuar a fazer o meu curso no centro espírita.

Eu não percebia que todo o meu esforço e dedicação no trabalho voluntário nada mais era do que uma fuga das minhas responsabilidades.

Por não me sentir pressionado e sem cobranças veladas, eu me sentia em casa. As minhas amizades estavam ali. Eu tinha reconhecimento e fui ficando cada vez mais conhecido.

Eu participava ativamente nas campanhas assistenciais da casa. Eu criei um grupo para organizar melhor a arrecadação de dinheiro e doações para as campanhas. Eu não percebia o quanto pressionava as pessoas para cumprirem as metas das campanhas. Sei que muitos sacrificavam seus ganhos para não passar vergonha.

Ao assumir o papel de espírita, eu acabei me tornando um cego. Por um tempo, eu escondi de mim mesmo o que considerava importante na minha vida: sucesso, dinheiro, poder, reconhecimento e realização.

Passei a acreditar que precisava apenas do suficiente para me manter. Idealizava como sendo capaz de ajudar milhares de pessoas e ser o salvador da pátria.

Eu via voluntários daquela instituição com vinte, trinta ou mais anos de trabalho. Uma verdadeira carreira e eu coloquei na cabeça que essa seria a minha vida.

Só que isso não estava me fazendo bem, eu me sentia muito só e achava que deveria suportar calado tudo o que estava acontecendo comigo.

As pessoas que faziam o curso comigo tinham suas vidas, como também tinham seus dilemas e problemas a lidar. Uma dessas pessoas sempre vinha conversar comigo e desabafar.

Ele me considerava um amigo em quem podia confiar. Eu tentava dar os meus conselhos, se é que eles podiam ser considerados assim.

Não sei qual a razão, esse amigo insistiu em apresentar uma amiga para mim. Durante dois meses eu dei todo tipo de desculpa. Por ser muito perfeccionista e cheio de inseguranças, eu achava que não ia gostar dela.

Eu vivia tão solitário que chegou uma hora que decidi aceitar o convite. Encontrei com meu amigo e esperamos sua amiga chegar. Eu fiquei encantado com a morena de olhos castanhos que mudava para verde dependendo da luz.

O jantar foi um dos melhores que eu já tive. Falamos um pouco sobre cada um e o restante passei só a ouvir o que ela tinha a dizer. Suas dúvidas, angústias, o que ela queria da vida. Ela era uma médica recém-formada, que começava ascender. Eu era um publicitário sem eira nem beira, infeliz por natureza.

Mesmo assim a atração foi mútua. Depois do jantar, nós fomos para uma confeitaria e ali ficamos conversando madrugada adentro.

Durante a semana combinamos de sair novamente. Eu fui buscá-la no hospital em que estava dando plantão e fomos jantar.

Eu tinha receio de que ela não quisesse nada comigo porque me sentia um fracassado. Pelo contrário, ela queria namorar comigo e me achava muito carinhoso.

Este namoro me deixou muito feliz e já na primeira semana a minha família conheceu a “nora dos sonhos”. Meus pais ficaram encantados e eu estava todo orgulhoso de ter encontrado alguém com estudo e de boa família.

Ela foi a namorada com quem me relacionei por mais tempo. Nós conversávamos sobre tudo, namorávamos muito e eu fui ficando cada vez mais apaixonado.

Depois de dezoito meses, eu coloquei tudo a perder por ingenuidade e imaturidade. Nós tínhamos nossas afinidades e semelhanças. Os dois eram muito inseguros em diversos aspectos.

Só que do meu lado pesava ainda mais meu forte desiquilíbrio emocional. Eu era sempre um fósforo aceso. Eu não resolvi o que queria da minha vida para que pudesse dar um passo mais sério no relacionamento.

Sem ter um norte definido, eu só queria encontrar novamente a luz salvadora que acabaria com todos os meus problemas. O meu trabalho na agência ficava cada vez pior. Os sócios se desentenderam e o que realmente entendia do negócio saiu da empresa.

Aquela situação toda me deixou apreensivo e nervoso. Não tomei partido de ninguém e os sócios remanescentes não gostaram da minha postura.

Mais uma vez, eu bolei um plano de fuga e decidi que era hora de pensar em ter meu próprio negócio. A minha namorada apoiava a ideia.

Eu tinha amizade com um atendimento desta agência. Ele atendia a principal conta da agência e também estava insatisfeito com a situação. Ele tinha um espírito empreendedor e queria vencer na vida, como eu. Contei a minha ideia de montar uma consultoria de comunicação e ele gostou da ideia.

Passamos dois meses planejando como seria o negócio e, como ainda estávamos empregados, o projeto foi sendo tocado aos poucos.

Eu estava tão empolgado com a ideia que achava que em pouco tempo já teríamos algum resultado. O tempo passou e o resultado não foi o esperado. Novamente eu me sentia de mãos amarradas e nada dava certo.

Só me restava continuar no meu emprego. Muitos colegas de trabalho queriam que eu assumisse a direção de criação e sempre negava o convite. Os sócios decidiram promover um assistente para coordenar os trabalhos na criação. Em pouco tempo, eu comecei a entrar em atrito com meu novo chefe.

Tudo acabou refletindo no meu namoro. Minha namorada com seus medos e inseguranças e eu com os meus. Se eu ouvia os seus desabafos, ela também deveria ouvir os meus.

Eu não queria ouvir seus conselhos e só queria que ela concordasse comigo. Eu dizia milhares de vezes que não suportava mais meu emprego. A solução para mim era trabalhar com o meu pai e o meu irmão. Ela sempre dizia que não deveria fazer isso e que eu procurasse outra solução.

Não me dava conta na turbulência que era a minha vida e como a minha namorada sofria com isso.

Nos poucos bons momentos que nós tínhamos, a gente conversava sobre planos futuros e sobre casamento. O nosso desejo era o de constituir uma família. Eu achava que tinha encontrado a mulher da minha vida. Aquela que ficaria do meu lado em todos os momentos.

Eu achei que era hora de pedir minha namorada em casamento. Um pedido como esse tinha que ser num lugar especial. Meus planos começaram a dar certo quando a responsável pelo RH da agência disse que eu deveria tirar férias. Eu achei aquilo perfeito.

Só que a minha namorada não achava. Para ela, eu seria demitido depois das férias e não deveria viajar. Eu insisti que deveríamos viajar mesmo assim.

Vencida pelo cansaço, ela concordou comigo e escolhemos o roteiro da nossa viagem. Eu comprei um belo anel. A cada dia que passava eu ficava mais ansioso.

Finalmente chegou o dia de ir ao encontro dos meus sonhos. Enquanto nós estávamos na sala de embarque, a minha namorada começou a reclamar de uma dor estranha no olho direito e muita dormência no braço direito.

Ela sempre me dizia que tinha pavor de saber que estava com Esclerose Lateral Amiotrófica – ELA. Já havia alguns meses que ela falava comigo sobre isso, como uma espécie de paranoia. Eu não dava ouvidos ao que ela dizia e não me importei com isso.

Eu sugeri que a gente cancelasse a viagem, mas ela preferiu embarcar mesmo assim. O nosso voo era de madrugada rumo à Santiago, no Chile. Logo pela manhã já estávamos num belo hotel cinco estrelas.

No pacote havia um city tour pela cidade nas primeiras horas da manhã. De tão ansioso que eu estava não esperei um momento mais propício. No café da manhã apressado que estávamos tomando para poder fazer o city tour, eu a pedi em casamento sem muita cerimônia.

É como dizem “Na teoria tudo é perfeito, mas na prática é outra história”. Minha namorada ficou sem reação, sem graça e disse um “sim” tão sincero quanto uma pessoa sendo assaltada e o ladrão diz para não gritar.

Aquilo foi um banho de água fria em mim. Com o devido respeito, eu merecia aquilo. Não sabia esperar a hora certa, tudo tinha que ser do meu jeito.

A viagem começou com um casal sem graça um com o outro. Eu passei a viagem sem tocar no assunto do pedido constrangedor. Fora isso, ela reclamava da constante dor no olho e a dormência no braço.

A viagem dos meus sonhos terminou sem a realização que eu esperava.

De volta ao Brasil, minha namorada foi em vários especialistas para saber o que estava acontecendo. Ninguém sabia explicar e ela voltou a fazer tratamento com um psiquiatra de confiança.

Ela estava sendo pressionada de todos os lados. Principalmente por mim. Eu ficava preocupado com o seu estado, mas sinceramente eu é que estava pior e não me dava conta disso.

Eu cumpri o restante das minhas férias e quando voltei fui demitido. O detalhe importante foi à época que isso aconteceu: fim de ano. A única diferença é que não passei só com a minha família.

Não havia com o que me preocupar. Eu já tinha um plano: estruturar o negócio da família. Minha namorada não concordava com os meus planos. Ela achava que eu deveria procurar outro emprego. Aquilo para mim era um absurdo, eu tinha um negócio para cuidar e ia fazer crescer.

Comecei a trabalhar com meu pai e meu irmão. Logo vi que não seria tão fácil.

A nossa empresa ocupava um salão de pouco mais de cem metros quadrados, que na verdade não passava de uma garagem. Poucos clientes que chegaram a ir ao local tiveram uma péssima impressão.

Muitas empresas de sucesso começaram numa garagem, mas eu não pensava assim. Para mim ali não passava de um “fundo de quintal”.

A empresa não tinha um plano de metas de vendas e muito menos um fluxo de caixa condizente. Meu irmão sempre dizia que eu deveria voltar a trabalhar na minha área de publicidade.

Resolvi então entrar de cabeça no negócio da família. Na visão do meu pai e do meu irmão, o mercado era pequeno e não havia muitas alternativas.

Por falta de uma estratégia comercial mais agressiva e um planejamento de estoque melhor, a empresa comprava os produtos de seus concorrentes e revendia-os em pequenas quantidades. A empresa passou a ser associada como apenas uma revenda com preço alto.

A empresa acabou segmentando seu negócio em apenas um tipo de produto. Um mercado menor com um preço de venda que em outras épocas dava uma boa margem de lucro.

Só que as margens de lucro começaram a baixar. A reclamação dos dois era sempre o alto custo de compra dos produtos e que não conseguiam acompanhar a concorrência.

Tomei a iniciativa de começar a pesquisar fornecedores internacionais. Eles achavam um absurdo a empresa importar produtos, principalmente da China. A alegação deles era que os produtos tinham qualidade inferior.

Encontrei um site chinês com diversos fornecedores. Enviei cotações e várias empresas responderam as minhas solicitações. Meus sócios não deram crédito ao meu trabalho e parei com o projeto de importação.

Uma das coisas que mais me assustaram foi saber o volume de vendas fictícias para gerar as chamadas “notas promissórias frias”. Elas eram usadas em operações de antecipação de recebíveis em factorings e em bancos.

Uma operação fraudulenta para colocar dinheiro no caixa. O volume chegava a três vezes o faturamento mensal da empresa.

Em tom de desabafo eu contei para a minha namorada tudo o que estava acontecendo na empresa. Eu estava de mãos atadas e não sabia como parar com o esquema de emissão de notas promissórias frias.

A única solução que eu encontrei foi retomar o projeto de importação. Voltei a entrar em contato com os fornecedores para fazer cotação de preços. A redução no preço de custo de compra passava de mais de trinta por cento em relação aos fornecedores nacionais.

Cada dia que passava eu estava mais confiante de que a importação tiraria a empresa do buraco. Meu pai e meu irmão não acreditavam que isso era possível. Eles tinham seus receios e eram justificados.

Muitos clientes não aceitavam produtos importados da china e eles tinham medo de perder a sua clientela. Dessa vez, eu não desisti e pedi que dois fornecedores chineses enviassem amostras dos produtos. Um deles se dispôs a enviar e em poucos dias nós recebemos as amostras.

Meu irmão fez alguns testes e gostou do produto. A questão era saber se realmente este fornecedor chinês existia.

No dia seguinte, eu recebi uma resposta que deixou meu pai e meu irmão de queixo caído. O principal cliente deste exportador chinês era o nosso principal fornecedor. Por anos a fio meu pai e meu irmão compravam produtos da China achando que era de origem nacional.

Finalmente depois de mais de setenta dias de espera, o primeiro container de produtos chegou à nossa empresa. Eu sentia orgulho do meu feito e achava que dali em diante tudo seria diferente.

Como o meu irmão era o responsável pela formação de preços, alguns produtos eram vendidos com preços acima dos praticados no mercado. Isso inviabilizou novas importações por falta de um giro de estoque mais rápido.

Eu argumentava com o meu irmão sobre esse problema, mas ele não me ouvia. Meu pai não se intrometia no assunto e eu acabava sendo voto vencido. Toda aquela situação me irritava e me deixava sempre frustrado.

Todo o final de semana, eu desabafava com a minha namorada sobre os problemas da empresa. Ela apenas ouvia minhas queixas como de costume.

Eu já não aguentava mais reclamar e decidi que ia organizar as finanças da empresa. Passei dias juntando todas as informações que precisava e fui montando uma nova planilha de despesas totais da empresa.

Aos poucos eu fui criando um sistema de controle de gastos na empresa. Tínhamos um controle, mas nenhuma análise e atitude para tornar o negócio lucrativo. Ninguém ali estava disposto a fazer sacrifícios. Principalmente eu.

Eu só conseguia ver onde as pessoas estavam errando. A dimensão dos problemas financeiros da empresa se confirmaria no futuro: dois milhões em dívidas.

Por falta de didática, eu não conseguia explicar a gravidade da situação. Eu repetia o mesmo discurso vezes e vezes, sem fim. Isto foi me consumindo cada vez mais.

Eu queria uma solução rápida para que pudesse resolver os problemas e, finalmente, poder seguir com a minha vida.

Não havia milagre que pudesse ser feito. Eu vivia em um mundo tão ingênuo quanto cruel. Só seguia o meu destino.

Mesmo sem qualquer condição financeira, meu irmão fez uma proposta de compra de um imóvel para nossa empresa.

A proposta que o meu irmão ofereceu consistia em dar uma entrada de dez por cento, alugar o imóvel por três anos e no final do contrato de locação nós teríamos que pagar o saldo restante. O proprietário aceitou a proposta de compra.

Poesia – Horizonte

O segredo é encontrar o equilíbrio entre sonho e realidade.

Horizonte

Viver com a cabeça nas nuvens

Deixa-se de ver o horizonte

Sob a névoa de ilusões

Sofre-se por amores distantes

Na terra mágica

Dos sonhos confusos

Declarações delirantes

Na espera que as nuvens

Desenhem dias melhores

Na cabeça que não para de pensar

Colada no corpo que caminha rumo

Ao precipício de expectativas

Levada pelos gestos

Mal interpretados

Reações impensadas

Arrependimentos eternos

De uma mente amarga

Que ensaia uma reviravolta

Inspirada no otimismo e bom senso

Numa luta contra o contra senso

Fatalista e perturbador

Das almas vazias e inchadas

De manias e preconceitos

Que afasta do caminho certo

O espírito corajoso

Que não se abate com as nuvens

Que causam aos imprevidentes

Duras dores na vida

Remédio amargo para os imaturos

Que não sabem esperar

Melhor momento para alcançar o céu

Fazem tempestade em copo d´água

Alecio Neto

Frase – Homem tem o coração

Bom dia com poesia! Por que as pessoas maltratam tanto um dos órgãos mais importantes?

Verso Homem tem o coração